23.10.05
17.10.05
Informações e Dados Causam Surpresa

Logo após as apresentações iniciais – qual o teor do projeto, objetivos, dados pessoais, etc. e tal – passamos à discussão de dados e informações gerais sobre a mídia. De quebra, 10 perguntas que os participantes deveriam responder (coladas do indispensável livro de Pedrinho Guareschi e Osvaldo Biz, “Mídia e Democracia” e disponíveis no quadrinho aí acima), sinalizando o conhecimento que possuíam a respeito de veículos de comunicação, programação e, principalmente, quem são os donos de rádios e TVs.
Questões respondidas, o debate inicia. De primeira, Família Marinho e Sílvio Santos são caracterizados como proprietários da mídia. A conversa avança. No final, a revelação que deixa todos estupefatos: a mídia eletrônica tem donos, sim: a sociedade. Nenhum dos participantes sabia que rádios e TVs funcionam graças a concessões públicas, ou seja, que são serviços públicos geridos por empresas com permissão do Governo Federal. Em seguida, a revelação de que essa concessão pública das TVs e emissoras de rádio deve ser renovada a cada 15 e 10 anos, respectivamente, também gerou um profundo silêncio, bem como a informação de que a responsabilidade pela não-renovação é do Congresso Nacional, que tem em seus representantes os grandes beneficiados por concessões de rádios e TVs, como mostra o quadro postado abaixo.
O próximo passo é um texto, de Eduardo Galeano, que provocou uma discussão interessante sobre outros “cases” fabricados pela mídia - tanto lembrados pelos participantes , como por mim, a exemplo da “Menina Que Não Estava Lá”, em reportagem vergonhosamente manipulada pela Veja (matéria completa no link abaixo). http://www.novae.inf.br/pensadores/ultima_de_veja.htm
Por último, dados que reforçam a importância de uma educação crítica para a mídia, dimensão definitivamente indissociável da vida moderna.
O primeiro dia do Projeto chegava ao fim. Ao perguntar a opinião de cada um a respeito do andamento das atividades e o que poderia ser modificado para o próximo, um dos estudantes resumiria bem o espírito daquilo que eu pretendia desenvolver: “nós aprendemos com a senhora, e a senhora aprende com nós”. Realmente, nada seria tão definitivo e recompensador quanto ouvir isso.
16.10.05
Concessões de TV para partidos
Ao lado, as concessões de TV outorgadas a políticos em todo o país, por partido. Nas palavras de Guareschi e Biz: "Interessante notar que membros de alguns partidos, como o PT, não detinham concessão alguma". Quais mudanças esse dados tiveram de 1996 pra cá?Quem quiser conferir a relação atual, basta acessar http://www.mc.gov.br/rtv/licitacao/ACIONISTAS.pdf . Detalhe: a relação dos "donos da mídia" só está disponível desde novembro de 2003. De uma democracia exemplar os governos anteriores, hein?
14.10.05
A lista de participantes

Fiquei feliz quando vi a lista acima. O Projeto finalmente sairia do papel. As 15 vagas foram preenchidas gradualmente. No primeiro, 11 participantes. No segundo, três faltaram e dois novos se juntaram ao grupo. No total, 16 alunos do Ensino Médio fizeram sua inscrição. E eu, entre incrédula e ansiosa, acreditava que falaria para as paredes. A curiosidade curiosa: quantos virão no terceiro encontro?
11.10.05
10.10.05
28/9 - O Meu 11 de Setembro

É engraçado, mas depois de 9 anos de sala de aula não pensei que novamente teria o friozinho na barriga - típico do primeiro dia de aula - que senti quando iniciei as discussões do projeto que desenvolvo. O porquê disso tudo, não sei. Os dois anos em que não sou mais 'profe', 'fessora', 'sora'? Debater com adolescentes, com idade que variam dos 16 aos 20 anos - temas relacionados à mídia que raramente discuti fora da Universidade ou apenas com pessoas relacionadas à área? O receio de ter meus "profundos" conhecimentos testados (adolescentes sabem muuuuito mais que os adultos imaginam, isso é bem óbvio) pelos 11 integrantes do grupo? Na verdade, um misto disso tudo, misturada com a ansiedade de não saber no que "a vontade de educar para a mídia" resultaria combinada com a "vontade de saber mais para a mídia" que os inscritos traziam. No fim, tudo maravilha. As discussões floresceram, nos divertimos pra caramba, conheci adolescentes muito show de bola e o mais importante: respirei, aliviada, ao perceber que os jovens não são tão seduzidos pela mídia como muito teórico dircursa aos quatro ventos. Não são Bobs Esponjas ávidos a consumir, receber e não questionar nada, no papel de passivos receptores de filmes, capítulos de Malhação e novelas globais. São jovens e, por isso mesmo, não correspondem fielmente esse estereótipo. No primeiro encontro, minhas certezas começavam a ruir. Iniciava aí meu 11 de Setembro. Quero ver o que vai restar do meu mundo até 16 de novembro.
Ao lado: o cartazinho tosco que fiz para os encontros. Bem se vê que morrerria de fome como diretora de arte.
4.10.05
Um projeto de Educação para a Mídia
A mídia é a madrasta malvada da sociedade? A mídia cria, pinta e borda? A mídia cria ilusões, seduz, enfeitiça e atiça o consumo desenfreado? Afinal, quem e o quê é a mídia? Bom, a idéia, a partir de hoje, é postar minhas impressões sobre um pequeno grupo de discussão sobre Mídia e Publicidade que implantei na E.E.E.M. Santa Cruz, dentro do projeto "Qualé dessa Propaganda?" - Entendendo a mídia, o consumo, a publicidade e suas relações". Os posts irão servir como uma espécie de "diário de bordo" das atividades desenvolvidas no projeto, que é um trabalho de conclusão da disciplina "Comunicação Comunitária". A disciplina, ministrada pela profa. Beatriz Dornelles, faz parte do rol de "matérias" - aí, que coisinha bem Ensino Fundamental, hehhehhe - do curso de especialização em Comunicação para o Terceiro Setor, que freqüento na FIJO, RS. Participam 11 alunos de 15 a 20 anos, das turmas de Ensino Médio da Escola. Era isso!


