28/9 - O Meu 11 de Setembro

É engraçado, mas depois de 9 anos de sala de aula não pensei que novamente teria o friozinho na barriga - típico do primeiro dia de aula - que senti quando iniciei as discussões do projeto que desenvolvo. O porquê disso tudo, não sei. Os dois anos em que não sou mais 'profe', 'fessora', 'sora'? Debater com adolescentes, com idade que variam dos 16 aos 20 anos - temas relacionados à mídia que raramente discuti fora da Universidade ou apenas com pessoas relacionadas à área? O receio de ter meus "profundos" conhecimentos testados (adolescentes sabem muuuuito mais que os adultos imaginam, isso é bem óbvio) pelos 11 integrantes do grupo? Na verdade, um misto disso tudo, misturada com a ansiedade de não saber no que "a vontade de educar para a mídia" resultaria combinada com a "vontade de saber mais para a mídia" que os inscritos traziam. No fim, tudo maravilha. As discussões floresceram, nos divertimos pra caramba, conheci adolescentes muito show de bola e o mais importante: respirei, aliviada, ao perceber que os jovens não são tão seduzidos pela mídia como muito teórico dircursa aos quatro ventos. Não são Bobs Esponjas ávidos a consumir, receber e não questionar nada, no papel de passivos receptores de filmes, capítulos de Malhação e novelas globais. São jovens e, por isso mesmo, não correspondem fielmente esse estereótipo. No primeiro encontro, minhas certezas começavam a ruir. Iniciava aí meu 11 de Setembro. Quero ver o que vai restar do meu mundo até 16 de novembro.
Ao lado: o cartazinho tosco que fiz para os encontros. Bem se vê que morrerria de fome como diretora de arte.

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